[Se você acabou de chegar, leia os primeiros capítulos dessa história aqui.]

A essa altura já estávamos em setembro de 2014 e a série de coisas que sucederam daqui pra frente aconteceram em uma velocidade muito rápida! Por isso, pra contar essa parte da história vou organizar uma linha cronológica de fatos importantes.

04/09: Eu estava trabalhando na loja dos meus pais e como de costume, atrás do balcão no computador pesquisando sobre coisas de viagens, intercâmbio e morar fora. A loja era metade videolocadora e metade lan house e de repente paro pra atender um cliente, que veio usar um dos computadores da lan. Liberei o computador e vi que o cara começou a falar em inglês, parecia que ele tava em uma entrevista de emprego. Escrevo no messenger para o David: “Tecnologia é uma coisa muito incrível né? Tem um cara aqui fazendo uma entrevista em inglês no Skype com alguma empresa em algum lugar do outro lado do oceano. Louco né?” (mal sabia eu que muito em breve falar no Skype e fazer entrevistas em inglês seria algo rotineiro na minha vida também). Voltei para as minhas pesquisas de viagem e descobri que ia rolar uma feira de intercâmbio daqui 2 semanas em Curitiba! E seria perto da nossa casa ainda por cima! Me cadastrei na hora. O site onde eu vi sobre essa feira era de uma empresa chamada Birds Intercâmbio. Birds era o nome da agência de publicidade que o David tinha no Brasil. Sincronicidade ou coincidência? Na época eu não sabia nada sobre sincronicidades e achei que essas coisas eram só coincidências.

14/09: Enquanto tudo isso estava rolando eu ainda estava feliz da vida fazendo meu curso de formação em yoga. Agora estávamos no módulo de gestão da profissão e nesse dia uma das atividades era desenhar em um papel qual era o nosso maior sonho. Confesso que a primeira coisa que passou na minha cabeça foi eu dentro de um motorhome viajando por aí. Mas eu olhei para os lados e vi todos os meus colegas desenhando eles dando aulas de yoga no parque. Me senti meio mal porque achei que eu tinha que desenhar algum sonho relacionado ao yoga. Mas eu não me via dando aula no parque em Curitiba, eu me via viajando, eu me via perto do mar. Se fosse pra dar aulas ao ar livre, que fosse na praia! E assim eu desenhei eu dando aulas de yoga na frente do mar (guardem essa história porque ela vai se encaixar com outro capítulo la na frente). Cheguei em casa toda orgulhosa do meu desenho de bonecos palito feito com giz de cera e me deu vontade de colar ele na geladeira, igual criança quando chega da escola. E assim ficou lá o meu desenho estampado na cozinha.

16/09: Chegou o dia da feira de intercâmbio! Não fazíamos ideia do que esperar desse evento e fomos lá cheios de curiosidade. A feira era um hotel e tinham vários stands de agências de intercâmbio e escolas de inglês. Paramos pra conversar com algumas dessas agências, pedindo informações sobre como poderíamos morar na Nova Zelândia. Recebemos muitas dicas, milhares de informações novas e também toneladas de panfletos, brochuras e orçamentos. Caminhando pela feira, um cara de uma agência nos puxou pra conversar e queria vender seu pacote para a Austrália. Nós não estávamos muito interessados porque realmente tínhamos nos apaixonado pela ideia da Nova Zelândia. Mas o cara tinha muito jeito de vendedor e não nos deixou sair dali sem uma sacola cheia de flyers, canetas e chaveiros de cangurus. Nesse dia chegamos em casa e sentamos no sofá com os milhares de orçamentos e panfletos em mãos, tentando assimilar a enxurrada de informações que recebemos. Ao mesmo tempo que estávamos empolgados com essa possibilidade, estávamos também muito intimidados e receosos por conta do alto valor que essa aventura iria nos custar.

Passamos os próximos dias analisando os papéis e conversando sobre nossas possibilidades e chegamos à duas conclusões: A primeira delas é que a Austrália seria uma opção melhor que a Nova Zelândia por um único motivo: na época a Nova Zelândia não tinha o visto de partner para estudantes, que é quando você viaja em casal mas apenas um estuda e o outro fica como dependente. Isso reduziria MUITO os nossos custos com a escola. Já a Austrália nos daria essa opção. E para aplicar o visto de partner precisávamos comprovar união estável ou casar. Nós já estávamos juntos há 6 anos e seria tranquilo comprovar união estável, mas achamos que se fossemos casados no papel seria muito mais fácil. E assim nós decidimos que iríamos casar e ir pra Austrália.

Entre a papelada que recebemos na feira de intercâmbio estava um mapa bem grande da Austrália que aquela agência nos deu. Quando tomamos essa decisão, decidi colar o mapa na parede em frente à nossa cama para que fosse a primeira coisa que víssemos ao acordar e a última coisa antes de dormir. A decisão estava tomada, mas ainda não sabíamos como iríamos financiar esse sonho. Os custos eram altíssimos e eu não fazia ideia de onde a gente ia tirar dinheiro! Mas com aquele lembrete colado na parede eu sabia que a gente ia dar um jeito.

21/09: Nós queríamos viajar logo depois do carnaval, que é quando as passagens estariam mais baratas. Isso seria daqui 6 meses, e nós tínhamos que casar antes disso. A San, irmã do David, estava morando no Chile e iria vir pro Brasil para o Natal. Metade da minha família mora em São Paulo e eles viriam pra Curitiba para o fim de ano também. Com isso concluímos que a melhor data para o casamento seria em dezembro… e isso seria daqui exatamente 3 meses! Precisávamos contar sobre o casamento para a família o mais rápido possível e assim, no dia 21/09, 5 dias depois de termos ido na feira de intercâmbio, chamamos os irmãos do David pra um café da tarde na nossa casa. Eu achei que a gente ia só contar pra eles, mas pra minha surpresa o David se ajoelhou na minha frente com um passaporte na mão, e dentro do passaporte um anel de noivado! Não poderia ter sido mais a nossa cara!

Porém, a gente só contou sobre o casamento, não que iríamos pra Austrália. Esse seria um passo um pouco maior e a gente não queria jogar essa bomba sem ter as coisas um pouco mais definidas. Guardamos esse segredo com a gente por pelo menos mais 1 mês. Toda vez que alguém ia lá em casa a gente escondia a papelada do intercâmbio e tirava nosso mapa da parede. Não queríamos dar nenhum sinal. Quando as coisas já estavam mais organizadas, contamos para os nossos pais e irmãos, mas teve gente que só soube disso no dia do casamento, quando falamos que iríamos para uma “lua de mel prolongada” haha.

No decorrer dos próximos 3 meses nosso tempo era dividido entre organizar a nossa viagem pro outro lado do mundo e organizar um casamento! Nós pensamos muito se deveríamos fazer uma festa, afinal estávamos contando todo o dinheiro pra bancar o intercâmbio. Mas esse casamento seria também a nossa festa de despedida do Brasil. Apesar de estarmos fechando um intercâmbio de 6 meses, nós já estávamos com planos de renovar o visto por mais tempo e depois da Austrália começar a nossa volta ao mundo. Por isso não fazíamos ideia de quando voltaríamos para o Brasil de novo! Decidimos assim fazer uma festa simples para poucas pessoas.

É claro que quando falamos de poucas pessoas, aos poucos você vai lembrando de mais gente, amigos que você gostaria de convidar, e a lista vai crescendo…. e no fim decidimos que seriam 100 pessoas! E mesmo assim foi difícil ter que deixar algumas pessoas de fora, mas precisávamos colocar um limite. Durante a organização, precisávamos economizar o máximo possível. Primeiro decidimos que a festa seria na chácara dos meus pais, assim podíamos fazer ao ar livre sem pagar pela locação. Toda a decoração foi DIY feita por mim e pela minha mãe, cunhadas e amigas. Essa foi uma das fases mais felizes da minha vida porque nós sempre nos reuníamos pra tomar um café da tarde e ficar cortando coraçõezinhos de papel, montando tiaras de flores, dobrando barquinhos de origami… foi um momento da minha vida que eu me senti muito amada e querida.

Pra ajudar, aconteceram algumas coisas incríveis com relação à festa. Como estávamos economizando ao máximo, tudo seria muito simples. O meu vestido por exemplo, eu iria comprar qualquer vestido branco na Renner and that’s it. Como era fim de ano, as lojas estavam cheias de opções de reveillón. É claro que eu queria um vestido de princesa, mas esse era um luxo que eu não poderia me dar. Mas olha como a vida é. Lembra quando eu disse que nessa época o David tinha um espaço de co-working? Um desses espaços era alugado pela Mara Nascimento, uma estilista de vestidos de casamento. Alguns meses antes o David tinha ajudado ela com o branding da marca dela, e agora ela quis retribuir o favor me dando o meu vestido de casamento! Quando na minha vida que eu iria imaginar que a essa altura, eu iria ganhar um vestido desenhado por uma estilista, criado exclusivamente pra mim? Eu realmente estava vivendo meu sonho de princesa.

Além do vestido, aconteceram histórias parecidas quando também ganhamos o bolo de casamento da nossa amiga Bruna, a decoração da festa que foi organizada pela produtora de eventos Adriana Russa, e o nosso ensaio fotográfico que foi feito pelos nossos amigos Ana e André. Assim como quando montamos a nossa casa no começo do ano, com a preparação do casamento sempre encontrávamos o que queríamos em promoção ou o profissional perfeito que cobrava exatamente o que podíamos pagar! Com isso conseguimos a proeza de ter o casamento dos nossos sonhos, com uma festa para 100 pessoas em um orçamento de R$5.000!

A festa não poderia ter sido mais a nossa cara. O fato de termos feito tudo nós mesmos deixou tudo ainda mais especial, porque cada detalhe tinha sido criado por nós. O tema da festa é claro que foi “viagem” e todos os detalhes eram de aviõezinhos, barquinhos, passaportes, carimbos, etc. Eu ouço muitas pessoas contando histórias de festas de casamento que foram para os convidados, mas os noivos não conseguiram aproveitar nada por estarem preocupados com tudo. Com a gente não aconteceu nada disso. Nossa festa durou quase 12 horas e a gente aproveitou cada segundo: comemos, bebemos, dançamos, cantamos karaokê, entramos na piscina, demos muita risada e nos divertimos muito com nossos amigos e família. Esse foi sem dúvidas o dia mais feliz da minha vida até hoje.

Uma curiosidade sobre o nosso casamento: na época eu não sabia absolutamente nada sobre astrologia, mas quando comecei a estudar sobre esse assunto muitos anos depois eu descobri que era possível fazer o mapa astral do casamento. Quando eu vi o mapa da nossa cerimônia não acreditei: Meio do Céu, Sol e Lua em Sagitário! Traduzindo: meio do céu fala do nosso futuro e para onde vamos seguir na nossa vida. Sol e Lua são astros importantíssimos no mapa astral, sendo a Lua falando das nossas emoções e o Sol falando do nosso brilho, nossa essência, nossa personalidade… quem somos verdadeiramente! E Sagitário é um signo famoso por gostar de viagens e expandir os horizontes. Ter esses 3 elementos nesse signo mostra como nós dois como casal temos a paixão e o desejo de viajar muito forte no relacionamento, assim como estamos destinados a expandir nossos horizontes e desbravar fronteiras juntos. Incrível né?

Memórias de um Sonho na Estrada –
Parte 05

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