Como foi conhecer a grande líder espiritual Amma

Essa história começa no dia em que fizemos 1 mês de estrada. Apesar de ser um dia de comemoração, eu não estava no meu melhor dia. Na verdade eu estava tendo um dia de cão e só queria que ele acabasse. Nós paramos na cidade de Wollongong para procurar um banheiro e caminhando pelas ruas charmosas do centrinho decidimos mudar essa frequência energética negativa e aproveitar o lugar que estávamos. Nunca mais voltaríamos ali e quisemos atentar o nosso olhar para a beleza daquela rua. Transformamos imediatamente um dia negativo em um fim de tarde com uma caminhada gostosa e ficamos curtindo o lugar. Passamos por um studio de yoga onde tinham umas revistas de graça na porta. Peguei uma, mas não li. Guardei no carro, onde ela ficou parada por vários dias.

cidade com praia na australia
Wollongong, cidade do estado de New South Wales, Austrália

Uma semana depois eu comecei a folhear a revista e me deparei com uma propaganda dizendo que a Amma estaria fazendo um tour pela Austrália nos próximos dias e vi que ela estaria em Melbourne bem no dia que estaríamos lá! Não pensei duas vezes, imediatamente decidi que iríamos ver a Amma. Mas antes de continuar essa história, vamos por partes:

Quem é a Amma?

Antes de começar a escrever esse parágrafo, quero dizer que eu não tenho total conhecimento para dizer quem é essa mulher incrível, por isso eu recomendo que se você quiser saber mais sobre ela, pesquise. Tem mais informações no próprio site dela e vários vídeos no Youtube também. Resumidamente, a Amma é uma grande líder espiritual que nasceu na Índia e mesmo sendo uma criança muito pobre, desde pequena sempre ajudava as pessoas mais carentes. Ela também sempre gostou de abraçar as pessoas e a medida que ela foi crescendo e ajudando cada vez mais os necessitados, ela foi ficando conhecida como “a santa do abraço”. Amma significa “mãe” e ela é vista como uma grande mãe de todos. Ela é uma grande humanitarista e o que mais me chamou atenção quando eu ouvi falar dela, é que ela é vista como um grande símbolo de amor e compaixão.

Por que eu decidi ir visitar a Amma

A quase 40 anos a Amma tem viajado por todo o mundo para abraçar pessoas. Seu abraço é visto como uma benção e centenas de pessoas vão a esses eventos gratuitos e muitas vezes esperam por várias horas até terem a sua vez de ganhar um abraço da Amma. O motivo de eu ter decidido ir é porque eu acredito que as coisas não acontecem por acaso. Não foi por acaso que eu peguei aquela revista e não foi por acaso que eu estaria em Melbourne no mesmo dia que a Amma. O que eu tinha a perder, afinal?

Chegando no evento

Era um sábado e o evento iria começar às 7 da noite. Para ganhar o abraço é preciso pegar uma senha e eu já tinha ouvido falar de pessoas que esperaram por mais de 5 horas para ganhar o abraço. O próprio site do evento dizia que os abraços seriam dados durante toda a noite, até de manhã. Eu definitivamente não queria ficar esperando a noite toda, por isso chegamos lá no que julgamos bem cedo, às 3:30 da tarde. E já tinham pessoas esperando na fila! Tinha gente do mundo todo e de todo tipo: casais, idosos, mães levando seus bebês para serem abraçados e crianças. Não tínhamos muito o que fazer, então ficamos só esperando. E esperando. E esperando. Às 5:30 começaram a entregar as senhas e pudemos entrar no lugar onde seria o evento. Continuamos esperando até às 7pm, quando a Amma finalmente chegou.

Centenas de pessoas no evento da Amma
Centenas de pessoas no evento da Amma

Eu já tinha ouvido falar que a presença da Amma é tão forte que é possível sentir a energia e o amor dela no ambiente, mesmo de longe. Devo dizer que eu fui com um pouco de expectativa com relação a isso, mas a verdade é que eu não senti nada. Isso me desapontou um pouco, mas mesmo assim eu estava de coração aberto. Quando ela chegou teve uma cerimônia bonita e ela começou a falar sobre alguns ensinamentos, mas a parte que eu mais gostei foi a meditação. Tinham cerca de mil pessoas lá e uma hora todos nós entoamos o mantra Lokah Samastah Sukhino Bhavantu (do sânscrito, significa Que todos os serem, em todos os lugares, sejam livres e felizes). Essa parte me deixou bastante emocionada. Depois dessa cerimônia, desse puja, ela começou com os abraços e nós esperamos ainda por mais algumas horas até a nossa vez.

A hora que eu desabei no choro

Esperando pela nossa vez, uma das voluntárias nos deu um folheto explicando que, se quiséssemos, poderíamos escolher ter a Amma como a nossa guru. Isso significa que teríamos que dar alguns dos nossos dados a ela, então ela nos daria um mantra, sopraria esse mantra no nosso ouvido e a partir daquele momento estaríamos criando um comprometimento em ter a Amma como guru e entoar esse mantra todos os dias, e ela estaria tomando a responsabilidade pela nossa jornada e crescimento espiritual. No momento em que eu li aquele folheto, algo tocou o meu coração e eu comecei a chorar.

Por um breve instante eu me lembrei de quando comecei a praticar yoga. A minha professora sempre falava no começo da aula para pensarmos em nosso sankalpa, a nossa intenção com aquela prática, e desde o começo a primeira coisa que me vinha à cabeça era que eu queria ter mais compaixão. Com o tempo de prática, durante o meu sankalpa começou a me vir a imagem de Kuan Yin, mestra da grande Fraternidade Branca e que esta associada ao amor e à compaixão. Em alguns momentos da minha vida eu tive experiências relacionadas a algo que simbolize amor e senti uma emoção muito forte, como da vez em que eu chorei abraçando um pedaço de quartzo rosa. Quando eu vi que poderia ter a Amma como guru e teria um mantra dado por ela, e sendo ela um grande símbolo de amor e compaixão, a emoção que eu senti foi a mesma e naquele momento, aquilo fez o maior sentido pra mim.

Como foi a hora do abraço, de fato

Estava chegando a minha vez e eu avisei uma das voluntárias que gostaria de receber o mantra. Quando chegou a minha vez tudo aconteceu muito rápido e eu achei aquele momento um tanto quanto perturbador. Eu não consigo me lembrar exatamente o que aconteceu, tudo o que eu lembro é de uma voluntaria segurando meu cabelo, outra segurando meu braço, outra me dando um cartão para pegar o meu mantra...a única coisa de que eu não consigo me lembrar, é como foi a sensação de ter sido abraçada pela Amma. Aquilo me deixou um pouco triste. Era pra ter sido um momento muito especial, mas foi tudo tão rápido para que a próxima pessoa pudesse vir para ganhar o abraço que eu mal consigo me lembrar do que aconteceu.

Saindo dali fui encaminhada para um lugar onde um outro voluntário falaria mais sobre o processo de receber o mantra. Sentamos eu e mais 3 meninas em um circulo para ler outro folheto. Eu ainda estava com lágrimas nos olhos tentando processar tudo o que estava acontecendo e ao mesmo tempo tentando focar na leitura, quando o voluntário impaciente me reprimiu, sugerindo que eu lesse mais rápido porque as outras meninas já tinham terminado. Aquilo me chateou.

Fui encaminhada para outra fila, onde receberia o mantra. Essa é uma fila secundária, ao lado da fila de quem esta recebendo o abraço. Entre um abraço e outro, a Amma vira para a fila secundária e sussura um mantra no seu ouvido e logo em seguida outro voluntário te tira dali. Aí outra pessoa esta segurando uma caixinha com os mantras escritos e dentre umas 5 opções de mantras diferentes, ele te da uma delas para que você possa memorizar. Todo esse processo me fez questionar algumas coisas. O quão pessoal era esse meu mantra e com base no que a Amma me deu esse mantra, sendo que ela mesma nem me perguntou nada e nem me conhece? Com base no que ela “tomaria responsabilidade” pelo meu crescimento espiritual? Se ela seria minha guru, como eu poderia ter acesso a ela para tirar todas as dúvidas que vão surgir durante toda a minha jornada? Essa última pergunta eu fiz para um dos voluntários, que disse que eu deveria ler os livros dela e tirar minhas dúvidas com os milhares de voluntários que existem nos centros dela espalhados pelo mundo.

A Amma é mesmo a minha guru?

Eu entendo que ela seja uma grande líder espiritual, com milhares e milhares de seguidores e que o processo de receber tanto o abraço quanto o mantra deva ser de alguma forma automatizado para que todos possam ser atendidos de forma mais organizada, mas para mim o processo como um todo pareceu tão superficial que depois de tudo isso eu não consegui sentir uma conexão mais forte com a Amma. Apesar de admirar muito o trabalho dela e ver ela como uma grande mulher, eu não consigo sentir que ela seja a minha guru.

A imagem que eu tenho na minha cabeça de guru é alguém que realmente possa te acompanhar de uma forma mais próxima, alguém que te conheça e que possa te passar os ensinamentos de uma forma mais pessoal. Será que eu estou idealizando o que é a definição de um guru nos dias de hoje? Será que hoje em dia é assim mesmo, você aprende com seu guru sem nem mesmo conhece-lo bem, e nem ele conhecer você, e você aprende apenas lendo seus livros e tirando suas próprias conclusões?

Eu não sei, ainda estou tentando entender como estou me sentindo com relação à isso.

Se você tiver um guru ou conheça alguém que tenha alguma situação parecida, deixa a sua história nos comentários que eu gostaria muito de conversar mais sobre isso com alguém 🙂

Ps. Todas as fotos foram tiradas do Facebook oficial da Amma porque é proibido tirar fotos no local do evento. 

 

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Semana 06: de Canberra à Melbourne

Na semana 06 da nossa viagem pegamos muita estrada e passamos por muitas paisagens lindas! O trecho de Canberra ao sul do estado de Victoria foi ficando cada vez mais bonito a medida que nos aproximávamos do Sul, na mesma proporção que foi ficando mais frio também! Essa semana definitivamente foi uma preparação para as semanas geladas que nos esperam na Tasmânia!

Se você acabou de chegar aqui, pode começar acompanhando a nossa viagem pela semana 01, quando fomos para Sunshine Coast!

08/04, sábado:

Começamos o dia indo fazer o alinhamento no nosso carro. Depois de trocar a peça no volante, essa era a última coisa que faltava pra deixar tudo certinho na van 🙂 De lá fomos para o National Museum of Australia, um museu GIGANTE que mostra muitas coisas interessantes sobre a história da Austrália.

National Museum of Australia

Passamos algumas boas horas lá e depois fomos em um open day que estava acontecendo no centro de informações turísticas. Foi tipo uma feirinha com banda e várias barraquinhas onde pudemos provar produtos de truta e algumas cervejas locais. Nossa última parada antes de deixar Canberra foi o Mt. Ainslie, que tem uma vista linda da cidade.

A cidade vista da montanha

 

A montanha vista da cidade

Hora de pegar a estrada.  Nesse dia dirigimos  até a fronteira com o estado de Victoria. Sem brincadeira, esse trecho de Canberra até Bondi Forest pela Monaro Hwy foi a estrada mais linda da Austrália que já vimos até agora!

Estrada entre canberra e melbourne
Estrada saindo de Canberra

Um cenário muito bucólico, começando com vastas colinas verdinhas e algumas árvores compridas de folhas douradas pelo outono, passando por muitas fazendas com vaquinhas e carneiros. Nenhuma cidade, apenas pouquíssimas casas de fazendeiros. Depois de algumas horas o céu começou a mudar, com umas nuvens mais densas como quem quisesse chover, mas isso deixou o céu numa mistura de alaranjado e roxo, com um sol baixo cor de fogo. A medida que fomos nos aproximando da fronteira o cenário foi mudando completamente. Agora estávamos entrando no meio da floresta e o cenário foi preenchido por super altas árvore coníferas. O sol já estava se pondo quando chegamos na rest area que iríamos passar a noite, o lugar mais lindo que já passamos a noite até agora! Era um lugarzinho no meio da floresta mesmo, apenas espaço pra poucos carros e absolutamente nenhuma iluminação. As únicas coisas que tinham lá era uma mesinha de picnic e uma base para fazer fogueira. Quando vimos aquilo estava decidido: hoje faríamos a nossa primeira fogueira! O David saiu para catar lenha enquanto eu fui adiantando o nosso jantar. Quando anoiteceu completamente, ganhamos um presente da natureza: um céu absolutamente estrelado e uma lua quase cheia, tão brilhante que iluminou todo o nosso acampamento. Assim encerramos um dia perfeito, com uma fogueira, chocolate quente e boas conversas.

fogueira no acampamento na floresta
Fazendo uma fogueira na frente da van

09/04, domingo:

O dia amanheceu chuvoso e friiiiiiiio! Iríamos pegar a estrada cedo, mas decidimos aproveitar o aconchego da nossa vanzinha e o tempo convidativo para ficar de baixo das cobertas e ver um filme. Saímos perto da hora do almoço para Lakes Entrance, a próxima cidadezinha. Lá tomamos um belo de um banho quente no banheiro público e depois fomos lavar nossas roupas na lavanderia mais cara da viagem! Pelo menos a lavanderia tinha tomadas, onde pude carregar meu computador e secar meu cabelo enquanto esperava a roupa ficar pronta. Vida de van é assim, a gente seca o cabelo em qualquer lugar que acha uma tomada mesmo hahaha. Nessa noite dormimos em uma rest area chamada Log Crossing.

pelicanos e gaivotas no lago
Pelicano em Lakes Entrance perto da onde tomamos banho

10/04, segunda-feira:

Nesse dia dirigimos até Wilson’s Promontory, um parque nacional onde esta o ponto mais ao Sul da Austrália tirando a Tasmânia. Esse parque é E-N-O-R-M-E! Nós levamos 40 minutos dirigindo só da entrada do parque até a parte central dele, onde está o centro de informações. O parque é cheio de trilhas e nós paramos pra fazer algumas caminhadinhas. Aqui começamos a ver algumas montanhas e ficamos super encantados com a beleza natural do lugar. Será que é porque ficamos muito tempo vendo só praias e estávamos sentindo falta de algo mais mato/montanhas?

menina na trilha perto das montanhas
Uma das trilhas que fizemos em Wilson’s Promontory

Eu sei que o dia estava nublado e muito frio, o que eu achei que combinou perfeitamente com o lugar. Eu não tenho certeza se teria sido tão bonito em um dia de sol. Nós queríamos ir até o ponto mais ao sul de fato, mas chegando lá descobrimos que o acesso é apenas por trilha: uma trilha de 40km! Não ia ser dessa vez hehe. Começamos a voltar para a entrada do parque e paramos em uma outra trilhazinha que leva para um lugar onde tem vários cangurus, emas e wombats.

canguru na australia
Canguru no Wild Track em Wilson’s Promontory

 

wombat marsupial da australia
Wombat, um marsupial da Austrália

O Wombat é um marsupial muito fofo, com cara de topeira e peludinho. Ficamos alí por um tempo fazendo umas fotos e fomos para a rest area onde iríamos dormir, o Franklin River Reserve Campground.

11/04, terça-feira:

Na terça dirigimos até uma cidade chamada Wonthaggi para tomar um banho quente em um centro aquático. Mas antes do banho o David foi andar de skate em uma pista na frente do lugar e enquanto isso eu fui fazer minha prática de yoga no gramado.  Depois de um banho maravilhoso esquentamos o nosso almoço e fomos direto para onde iríamos passar a noite, um posto de gasolina Caltex na pequena cidade de Bass. Ao lado do posto tem um McDonalds e fomos lá para usar as tomadas deles e trabalhar um pouco. Nada de muito emocionante aconteceu nesse dia, ficamos lá até anoitecer e então voltamos pra van para fazer o jantar e dormir.

por do sol na Australia
Por do sol no posto de gasolina onde passamos a noite

12/04, quarta-feira:

Dia de ir para Phillip Island! Essa é uma ilha linda bem conhecida na região, mas quase não incluímos ela no nosso roteiro! Isso porque por ser uma ilha eu achei que só fosse ser possível chegar lá de barco, mas na verdade existe uma ponte e da pra ir tranquilamente de carro. Fomos lá para passar o dia e não nos arrependemos. Começamos indo conhecer algumas praias até chegar em Nobbie, o extremo oeste da ilha. Lá fizemos uma caminhada muito linda com vista para outra pequena ilha que as pessoas vão para ver focas.

praia em phillip island australia
Praia de Smiths em Phillip Island

Depois fomos para o outro lado da ilha para conhecer um lugar chamado The Pinnacles. Só que para chegar lá precisa fazer uma trilha de 40min para ir, mais 40min para voltar e já estávamos em cima do laço para dar tempo de ver o por do sol lá! Apertamos o passo e conseguimos chegar lá bem a tempo! A caminhada até lá é muito bonita e em alguns momentos me lembrou alguns trechos da trilha inca (tirando a vista para a praia).

menina fazendo yoga na praia no por do sol
Por do sol em Pinnacles, Phillip Island

Na volta encontramos muitos wallabies curiosos passeando por ali e vimos o fim do por do sol na praia perto de onde deixamos o carro. De lá fomos de volta para o posto de gasolina, onde passamos a noite de novo.

13/04, quinta-feira:

Eu queria muito tomar um banho. Sinceramente, eu não sabia como isso ia acontecer hoje. Tínhamos apenas duas opções: voltar até Wonthaggi só para tomar banho, o que ia levar 1 hora para ir e voltar, ou ir direto para Melbourne procurar um chuveiro lá. O Wikicamps não nos mostrava mais nenhum lugar com chuveiro quente entre essas duas cidades. Eu já estava surtando por causa disso e não conseguia mais me concentrar em procurar outro lugar, então o David tomou o controle da situação e começou a procurar pela opção mais óbvia: procurar um lugar pago hehe. Achamos um lugar na cidade de Tooradin onde poderíamos dormir e ter banho quente por AUD$15.00. Perfeito. Fomos direto pra lá e depois do banho meu dia começou de verdade. Nos instalamos na van para ficar o dia todo lá e enquanto o David fazia os assesments dele, eu estava fazendo o nosso planejamento para a Tasmania.

campervan no acampamento
Lugar onde paramos a van para acampar

Foi uma tarde bem produtiva. À noite conhecemos Carolyn and Gary, um casal aposentado que vive na Tasmania e estão viajando de motorhome. Eles são um casal super fofo e alegre que nos convidou pra tomar um chá no motorhome deles depois do jantar. Foi a primeira vez que fomos convidados pra entrar no motorhome de alguém! Junto estava um menino belga que também esta viajando de carro pela Austrália e ali tivemos uma noite muito gostosa, com longas conversas e muitas dicas sobre a Tasmânia!

14/04, sexta-feira:

O dia amanheceu chuvoso. Tiramos o dia para continuar trabalhando nos assesments e no roteiro da Tasmânia. Focamos nisso o dia todo e no fim da tarde aproveitamos pra tomar mais um banho nesse mesmo camping e depois pegamos a estrada para a tão esperada Melbourne! Chegamos na cidade por volta de 5 ou 6 da tarde. A cidade encantou logo de cara! Ruas muito charmosas, com prédios antiguinhos e fofos e o melhor: NADA de trânsito. Mas aí nos demos conta de que era sexta-feira santa e muito provavelmente esta todo mundo viajando!

menina com mapa na mão
Planejando a viagem de carro pela Tasmânia

Dirigimos até a casa da Ela, uma amiga minha que conhecemos em Gold Coast e agora esta morando em Melbourne. À noite ela e o Dermott, namorado dela, nos levaram pra ver pinguins! SIM, PINGUINS! Nós queríamos ter visto os little penguins na Phillip Island, mas o passeio custava AUD$25.00 por pessoa e ali em Melbourne pudemos ver ele sem pagar nada, só caminhando pelo pier à noite. Foi a coisa mais fofa do mundo! Depois fomos jantar em um restaurante vietnamita muito gostoso que eles nos levaram pra conhecer. Foi uma noite muito gostosa 🙂

Continue lendo: semana 07 – de Melbourne a Eaglehawk Neck (Tasmânia)

Gastos da semana:

Mercado: AUD$58.49
Combustível: AUD$208.52
Alinhamento de pneus: AUD$59.00
Lavagem do carro: AUD$6.00
Lavanderia: AUD$14.00
Comer fora: AUD$44.80
Camping em Tooradin: AUD$15.00
TOTAL: AUD$405.81
Gasto acima do que gastávamos quando estávamos parados morando em Gold Coast: AUD$5.81

Por onde passamos no mapa:


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Semana 05: de Sydney à Canberra

Na quinta semana da nossa viagem passamos pela maior cidade da Austrália, Sydney, e também pela capital da Austrália, Canberra. No começo da semana rolou a minha aula gratuita de yoga e conhecemos muitos lugares lindos como a região de Blue Mountains.

01/04, sábado:

Esse foi o dia da minha aula de yoga. A manhã já começou meio bagunçada. Não encontramos um lugar pra estacionar, fomos pegar um ônibus pra ir até o lugar onde seria a aula, nos batemos pra entender o aplicativo de transporte de Sydney que nos levou 3 vezes pros lugares errados e quando finalmente pegamos o ônibus certo, a motorista não parou no ponto que iríamos descer. Foi um caos e nós que tínhamos nos programado pra chegar 1 hora antes, chegamos lá bem na hora de começar a aula. Por sorte ainda não tinha ninguém esperando, então começamos a aula quando as alunas chegaram. A aula foi muito linda e foi a primeira aula do projeto em um lugar fechado, um studio chamado Anahata Massage&Wellbeing que foi cedido para a nossa aula pela Mari, a dona do espaço. Depois da aula fomos para a feirinha de Chinatown de novo. Estando à pé na maioria dos dias em Sydney não tínhamos como fazer comida na van e acabamos gastando uma baita grana comendo na rua. Nesse dia não foi diferente, almoçamos fora de novo. Queríamos comer algo asiático e diferente, então demos um google nos restaurantes mais baratos de Sydney. Pegamos um qualquer e fomos. Chegando lá o restaurante tinha cara de chique e caro, mas o site prometia que tinha pratos de $10. E realmente tinha! Era um restaurante tailandês com um menu de umas 200 opções, todas com um preço bacana, na faixa de $12 a $14 dólares. Pedimos um prato que não fazíamos ideia do que era hahaha mas quando chegou, vimos que era um prato bem servido e bem elaborado, além de tudo delicioso! Esse restaurante foi um achado, comemos super bem num restaurante legal por apenas AUD$24.00 nós dois. De lá fomos andar pelo bairro The Rocks e depois fomos direto para a casa da Vanessa e do Rafael, um casal que nos convidou para ficar com eles por alguns dias.

02/04, domingo:

Esse foi o dia que escolhemos para ir conhecer as Blue Mountains. Depois de tantos dias na cidade grande foi muito bom ir para o mato e estar perto da natureza de novo. Blue Mountains é o nome da região e tem gente que vai lá para passar vários dias. Como tínhamos só um dia, fomos ir visitar os lugares principais, que já foi lindo demais. Foi uma pena ser um lugar tão cheio de turistas, Onde quer que fossemos tinham chineses nos empurrando para conseguir tirar uma selfie.

03/04, segunda-feira:

O dia amanheceu frio e chuvoso. Passamos boa parte do dia na casa da Vanessa editando vídeos e organizando os próximos dias da viagem. Foi muito bom ficar na casa deles por alguns dias, me lembrou muito o nosso apartamento no Brasil e foi o mais próximo que eu cheguei de me sentir em casa em todo esse tempo na Austrália.

À tarde levamos nosso carro no mecânico. Quando saímos de Gold faltava apenas uma peça pra trocar para que o carro ficasse 100%, mas em Gold não achamos essa peça, por isso tentamos em Sydney e conseguimos! Agora sim o carro esta zeradinho, pronto pra pegar qualquer estrada.

04/04, terça-feira:

Nesse dia fizemos um mês de viagem e também foi nosso último dia em Sydney! Foi legal experienciar Sydney, tivemos dias bons, conhecemos pessoas super legais, mas eu estava feliz em deixar a cidade grande. Antes de ir embora passamos pelas praias e então pegamos a estrada, começando a segunda etapa da viagem: de Sydney a Melbourne. Nesse dia passamos pela cidade de Wollongong e dormimos na rest area de Jamberoo.

05/04, quarta-feira:

Acordamos cedo e fomos para Jervis Bay. O caminho saindo de Jamberoo é lindo demais, com fazendas e colinas por todos os lados. Passamos na pequena cidade de Gerringong e fomos para o Jervis Bay National Park. Eu não estava me sentindo muito bem nesse dia, acordei com cólica e indisposta, mas tentei aproveitar o máximo que pude desse parqur nacional. O lugar é muito lindo, tem várias praias, trilhas pela mata e vimos também vários cangurus e wallabies. Foi uma pena ter chovido o dia inteiro. Nesse parque tem uma área de camping e lá conseguimos tomar um bom banho quente. Nesse dia dormimos na Bewong Rest Area.

06/04, quinta-feira:

O dia amanheceu muito mais lindo que no dia anterior e aproveitamos pra ir conhecer a praia da areia mais branca do mundo. Mas antes de ir pra lá tiramos todas as nossas roupas de inverno que estavam guardadas e compramos dois sacos de dormir. Estamos sentindo cada vez mais os sinais de que o inverno se aproxima. Hyams Beach é uma das praias mais lindas da Austrália e realmente tem a areia bem branquinha. Já esta frio demais pra entrar no mar, mas aproveitamos o lugar mesmo assim. Estacionamos a van em um lugar que tivéssemos vista para a praia e ali ficamos o dia todo trabalhando.


07/04, sexta-feira:

Dia de pegar a estrada de novo! Hoje estamos indo rumo à Canberra, a capital da Austrália. São 208km de Jervis Bay e pegamos muitos trechos de uma estrada de chão que deu dó de passar com a vanzinha. Mas chegamos em Canberra na hora do almoço, um friiioooo e um lindo dia de sol. A primeira coisa que fizemos foi ir no centro de informações e decidir quais lugares iríamos visitar. À tarde fomos conhecer o Parlamento e o museu de retratos. Foi muito bacana e o que mais estamos gostando da cidade é que ela é bem organizada e o melhor: sem trânsito!!! Bom, o que esperar de uma cidade que foi projetada para ser a capital? Parece que tudo funciona muito bem. No fim de tarde conseguimos tomar um banho quente no banheiro público de outro centro de informações e dormimos na Hughie Edwards rest area. À noite ficamos planejando qual seria o nosso trajeto até o estado de Victoria, onde esta Melbourne. Temos 3 opções de estrada e ainda estamos vendo qual vai ser a melhor. Antes de dormir ainda tínhamos bateria o suficiente pra assistir um filminho <3

Continue lendo: semana 06 – de Canberra a Melbourne

Gastos da semana:

Mercado: AUD$51.54
Combustível: AUD$140.15
Manutenção do carro: AUD$200.00
Transporte público: AUD$20.00
Correio: AUD$8.00
Compras pessoais e sacos de dormir: AUD$76.00
Comer fora e bebidas: AUD$65.95
Entrada no Jervis Bay National Park: AUD$11.00
Entrada no museu: AUD$20.00
TOTAL: AUD$592.64
Gasto acima do que gastávamos quando estávamos parados morando em Gold Coast: AUD$192.64

Por onde passamos no mapa:

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Semana 04: De Nambucca Heads à Sydney

São tantas coisas que vem acontecendo em tão pouco tempo que esta cada vez mais difícil lembrar até o que almoçamos ontem! hahah mas vamos lá:

25/03, sábado:

Começamos o dia indo para a pequena cidade de Macksville. Fomos para lá porque quando estávamos em Nambucca, um senhor que conhecemos nos disse que tinha um posto de gasolina lá com chuveiro quente. Não pensamos duas vezes e demos uma paradinha na cidade para tomar banho. De lá continuamos até Kempsey, que é a cidade exatamente no meio do caminho entre Gold Coast e Sydney. A ideia era ir visitar um centro aborígene onde eles ensinam sobre muitas plantas que os aborígenes usavam de forma medicinal. Eu estava super empolgada pra ir lá conhecer, mas descobrimos que o lugar só abre de segunda à sexta. Como já tínhamos ido até lá, ficamos pela cidade mesmo e preparamos um almoço mexicano em um parque. Depois, saindo da cidade passamos em uma pequena galeria de arte aborígene. Tinha umas obras muito bonitas, mas logo que eu entrei lá comecei a passar muito mal então não ficamos muito tempo. De lá fomos para Crescent Head, uma praia muuuuuuuito lindinha:

Ficamos lá apenas algumas horas, mas eu poderia ter ficado lá pelo menos um dia inteiro. Só que essa praia não tinha nenhum lugar onde pudéssemos passar a noite, então continuamos na estrada até Port Macquarie. Chegamos lá no fim de tarde, bem a tempo de pegar o por do sol no farol:

Nesse dia dormimos em uma rest area de Burrawan.

26/03, domingo:

Nesse dia passamos a manhã inteira reorganizando o nosso projeto. De vez em quando precisamos parar para ver o que esta funcionando, o que não esta e em que podemos melhorar. Saimos da rest area quase na hora do almoço e queríamos dirigir até Newcastle. Passamos em Nelson Bay para uma visita, mas o lugar era tão lindo e convidativo que decidimos ficar mais um pouco e passar a noite lá.

 Tiramos um tempo para descansar, o David foi nadar enquanto eu fiz minha prática de yoga de baixo de uma árvore, fizemos nosso jantar ali no parque mesmo enquanto viamos o por do sol e tomamos banho no chuveiro público da praia. Estava tão quente que a água fria do chuveiro estava até boa 🙂

27/03, segunda-feira:

Acordamos super cedo e fomos preparar o café da manhã na frente da praia. De manhã fomos visitar alguns lugares ainda por ali na região de Port Stephens e então seguimos viagem até Newcastle.

Chegando lá nos deparamos com uma cidade SUPER fofa e charmosa, com prédios antiguinhos e muitos lugares bonitos. Como era segunda-feira, muitos lugares que eu queria visitar estavam fechados, então resolvemos aproveitar o dia bonito pra ir conhecer as praias.

No fim da tarde entramos em uma piscina natural pública e aproveitamos pra tomar banho no chuveiro quente deles <3 Depois disso fomos preparar o jantar em um parque e lá acabamos conhecendo um casal super bacana que estava por ali. Conversa vai, conversa vem, eles nos convidaram pra ir na casa deles pra usar a tomada pra carregar nossos computadores. Nós ficamos conversando por horas e no fim dormimos na frente da casa deles.

28/03, terça-feira:

Nesse dia acordamos cedo para ir visitar dois lugares que não tínhamos conseguido ir no dia anterior: o farol e o museu de Newcastle. A visita ao museu foi muito legal e conta toda a história da cidade. De lá pegamos 2 horas de estrada até Sydney. Eu estava super animada pra ir pra Sydney, tanto que quando chegamos lá e atravessamos a Harbour Bridge eu até chorei. Mas não levou muito tempo pra percebermos um grande problema que enfrentariamos durante a nossa estadia aqui: muito trânsito pra qualquer lugar que a gente fosse e falta de lugares para estacionar a van na rua. Logo quando chegamos pagamos um pedágio só por entrar na cidade e mais um estacionamento de AUD$14 a hora no centro. Essa foi Sydney nos dando as boas vindas com um soco no estômago e uma facada no rim. Depois de ir visitar a Opera House, fomos para a casa do Léo, um brasileiro que nos convidou pra ficar na casa dele. Foi a primeira vez na viagem que ficamos na casa de alguém.

29/03, quarta-feira:

Tiramos o dia para ir conhecer o centro da cidade. Depois do susto com o preço do estacionamento (que depois descobrimos que estava “barato”, porque a média era de AUD$50 a hora), decidimos ir para o centro de trem. Na hora de comprar o cartão transporte, mais um baque da cidade grande: a mulher da banquinha foi muito rude com a gente. E não só ela, mas percebemos que no geral as pessoas não eram mais tão amigáveis com a gente quanto nas cidades menores. We’re not in Kansas anymore. Visitamos museus e parques, tivemos um dia bem cheio com muita caminhada pelo centro. Foi um dos dias mais legais em Sydney, conhecemos muitos lugares, vimos muitos prédios antigos, praças bonitas e terminamos o dia com um por do sol perto do Opera House.

30/03, quinta-feira:

Esse era o dia que queríamos ter ido conhecer as praias do norte, mas o tempo estava terrível, com uma tempestade muito forte. Acho que foi um reflexo do ciclone Debby que passou no Norte da Austrália. Passamos o dia todo na casa do Léo colocando a vida em dia, editando vídeos e organizando o resto da viagem.

31/03, sexta-feira:

Depois de 3 noites na casa do Léo, passamos a manhã arrumando a van de novo. Nessa noite fomos em um show no centro da cidade, por isso não iríamos dormir na casa dele de novo. Passamos a manhã inteira reorganizando a nossa vanzinha! Apesar de ser muito legal ficar na casa das pessoas, a nossa van acaba ficando bem bagunçada durante esse período porque saímos da nossa rotina e acabamos só jogando tudo o que pegamos em cima da cama. Depois de almoçar fomos lavar roupa e depois fomos conhecer o studio que eu daria aula no dia seguinte. De lá fomos para o centro para o show do Avalanche City. Nós estávamos querendo ir num show deles a muito tempo e quando estávamos saindo de Newcastle vimos na fanpage deles que teria um show em Sydney na mesma semana que estaríamos aqui. Não pensamos duas vezes e compramos o ingresso. Enquanto não dava a hora do show fomos conhecer a feirinha de Chinatown e comer alguma coisa por lá. Depois fomos pro show, que foi em um barzinho. Isso foi muito legal porque tinham poucas pessoas lá e pudemos ficar literalmente colados no palco. O show foi tão lindo que eu até chorei na maioria das músicas e no final ainda conseguimos conversar um pouco com o Dave Baxter, o vocalista da banda. Voltando do show pudemos ver a vida noturna em Sydney, que é super agitada. Fazia tempo que não víamos algo parecido, primeiro talvez porque a gente não sai mais muito à noite hahaha mas também porque estávamos sempre passando por cidadezinhas pequenas. Nessa noite dormimos de volta na nossa vanzinha <3

Continue lendo: semana 05 – de Sydney a Canberra

Gastos da semana:

Mercado: AUD$71.07
Combustível: AUD$148.44
Estacionamento: AUD$6.60
Transporte público: AUD$20.00
Lavanderia: AUD$20.00
Comer fora: AUD$75.50
Ingressos show Avalanche City: AUD$40.00
TOTAL: AUD$381.61
Gasto abaixo do que gastávamos quando estávamos parados morando em Gold Coast: AUD$18.39

Por onde passamos no mapa:

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Semana 03: de Byron Bay à Nambucca Heads 

18/03, sábado:
Mais um dia em Byron Bay. Minha aula seria às 4pm, então ainda tínhamos boa parte do dia para ir explorar lugares novos. De manhã fomos em uma cachoeira pouco conhecida chamada Killen Falls. Quando pensamos em Byron, geralmente pensamos em praias e ondas, mas a parte de Hinterland, nas montanhas, tem muitos lugares bonitos e pouco conhecidos.
Nesse dia tomamos banho no chuveiro da praia mesmo e dormimos em outra rest area chamada Tyagarah Rest Area. Muito menos barulhenta da que a ficamos na noite anterior!

19/03, domingo:
De manhã pegamos a estrada para Ballina. No caminho para lá encontramos na estrada uma placa para a fábrica da Thursday Plantation, que é uma marca que eu já conhecia que fabrica óleos essenciais puros e produtos naturais. Fizemos um pequeno desvio no nosso caminho para ir lá conhecer e foi super bacana porque aprendemos várias coisas sobre Tea Tree, que é a planta mais usada por eles. Depois seguimos para Ballina. Não sei se o tempo que não estava ajudando ou se nós estávamos cansados, mas Ballina não foi lá grande coisa. Nós fomos conhecer alguns pontos indicados pelo Wikicamps, mas nenhum deles foi suuuuper legal. A melhor parte de Ballina foi quando nos divertimos tirando fotos com o camarão gigante!
Nesse dia tomamos banho em um chuveiro público na frente de um lago e dormimos no Ballina Rest Area. Apesar das reviews do wikicamps sobre esse lugar não serem nem um pouco positivas, nós não achamos nada de mais. Era só mais uma rest area como todas as outras.

20/03, segunda-feira:
De Ballina fomos para Alstonville, uma cidadezinha minúscula que tinha uma biblioteca com wifi. Estávamos precisando tirar um dia para trabalhar, por isso fomos lá e ficamos o dia todo. Foi horrível, pra falar bem a verdade. A internet era ruim e não tinham mesas para sentar com o computador, só sofás com mesinhas de centro. Mega desconfortável. Do lado dessa biblioteca tinha um camping com um preço bem bom (AUD$11 por pessoa) e decidimos ficar lá. Foi o primeiro camping pago da viagem e foi ótimo! Tomamos banho quente, pudemos recarregar o carro e estacionar em um lugar coberto. Me senti em um hotel 5 estrelas hahahha

21/03, terça-feira:
De Alstonville saímos para Grafton, a próxima “grande cidade” no nosso caminho. No caminho paramos em Brooms Head, uma praia muito linda que paramos para fazer almoço:

Foi nesse lugar lindo aí que eu corri o risco de ter meus olhos arrancados pelo corvo:

Chegando em Grafton passamos por algumas ruas super charmosinhas, uma delas a Fig Tree Avenue:

22/03, quarta-feira:
De novo na estrada, dessa vez o nosso destino era Coffs Harbour Fomos com calma, parando nas praias pelo caminho, a primeira delas chamada Woolgoolga. Na nossa primeira parada encontramos um parque CHEIO de morcegos dormindo! Foi a coisa mais linda! Lá aproveitamos pra lavar nossas roupas, tomar banho e fazer almoço:


Foi lá também que conhecemos um templo Sikh, que é a quinta maior religião do mundo! Ela é originária da India e é muito forte aqui na Austrália. Lá aprendemos um pouco mais sobre os sikh e foi muito bacana, além do templo ser lindo.

No caminho para Coffs Harbour fomos no Sealy Lookout, tiramos a famosa foto com a big banana e seguimos para o lugar onde iríamos dormir, o Burdett Park Football Field, um lugar super bonito!

23/03, quinta-feira:
Esse era o dia que teoricamente tirariamos para trabalhar. Fomos na biblioteca pública de Bellingen, mas a tentativa de usar o wifi deles foi inútil. Qual é o problema da Austrália em ter uma boa internet hein? Depois de 2 horas nos esforçando para tentar fazer alguma coisa, a biblioteca fechou para almoço!!! Cidade pequena é assim, gente. Depois de uma manhã perdida, achamos era era um sinal para aproveitarmos o dia. Dali tínhamos 2 opções: ir conhecer as cachoeiras de Dorrigo ou ir para Nambucca Heads. O tempo estava meio esquisito e começando a fechar, então fomos para Nambucca. Chegando lá para fazer almoço, descobrimos que a nossa farinha de mandioca estourou e sujou TODO o carro. Eu surtei. Eu quis chorar. Tem dias que é assim, nem tudo sai como a gente quer. Depois de limpar toda a zueira fomos dar uma explorada no lugar para procurar um chuveiro (só um banho poderia me fazer mais feliz naquele momento). Chegamos em Shelly Beach, a praia com a vista mais linda, um chuveiro e um belo lugar para estacionar e fazer almoço/janta (ja eram 4 da tarde!). Ali ficamos e tudo começou a melhorar. Eu estava feliz com o lugar bonito, com o banho tomado e com o bolo que resolvemos fazer! Dormimos nessa praia mesmo.

E aqui esta o vídeo mostrando o que fazer quando dá tudo errado no seu dia:

24/03, sexta-feira:
Acordamos com um friozinho, um tempo chuvoso e uma preguiiiiiça! Aquele dia que você tem vontade de ficar de baixo das cobertas o dia todo.

Mas precisávamos trabalhar, então fomos para a biblioteca de Nambucca (péssima internet, limitada a 2 horas apenas). Ficamos lá um tempo e depois voltamos para Shelly Beach, onde dormimos de novo.

Continue lendo: semana 04 – de Nambucca Heads a Sydney

Gastos da semana:

Mercado: AUD$42.79
Combustível: AUD$65.31
Estacionamento: AUD$8.00
Lavanderia: AUD$9.00
Produtos de Tea Tree: AUD$34.40
Camping: AUD$22.00
Takeaway e vinho: AUD$13.98
TOTAL: AUD$195.48
Gasto abaixo do que gastávamos quando estávamos parados morando em Gold Coast: AUD$204.52

Por onde passamos no mapa:

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Viajantes são pessoas confiáveis?

A uma semana atrás nós estávamos em Byron Bay e conhecemos uma menininha de 10 anos e seu pai que estavam tocando músicas no parque em troca de algumas moedas. Ruby é uma pequena artista escocesa super talentosa, que apesar da pouca idade já sabe tocar violão, ukulele, gaita e gaita de fole! O pai dela, Brian, estava nos contando que um dia eles estavam passeando na mata e ela encontrou uns  pedaços de bamboo e começou a montar sozinha uma daquelas flautas peruanas! Os dois estão viajando pelo mundo em um ano sabático e fazendo pequenas apresentações em parques por onde passam. Brian quer que a Ruby tenha experiências diferentes e vivencie o mundo com os próprios olhos antes que ela fique mais velha e tenha que se comprometer mais seriamente com os estudos. Uma história linda e inspiradora.

Depois de Byron eles iriam para Gold Coast. Como eu conheço algumas pessoas por lá, quis perguntar na comunidade se alguém teria um cantinho em casa pra receber eles. Só estando na estrada pra saber como é bom ter um lugar quente pra dormir, com um chuveiro de verdade. A Ruby estava com dor de garganta naqueles dias e como eles dormem em barraca, eu fiquei preocupada em ela pegar friagem e quis ajudá-los. Fiz um post no grupo de Brasileiros em Gold Coast no Facebook contando a história deles e perguntando se alguém poderia recebê-los. Mas o que veio a seguir me deixou um pouco chateada. Muitas pessoas começaram a dar like no meu post e comentar “que legal!”, mas ninguém ainda tinha oferecido ajuda. Até que uma menina comentou perguntando se eu achava que eles eram de confiança. Aquela pergunta partiu meu coração.

Eu sei que no Brasil nós temos um pé atrás com tudo e que não da pra sair abrindo as portas da sua casa pra qualquer um que apareça. Mas esse pai esta levando sua filha para o mundo para aprender alguma coisa, para ensinar algumas lições de vida, para fazê-la experienciar coisas incríveis que só quem viaja entende e conhecer pessoas boas. Como alguém pode achar que há alguma má intenção nisso? Nesses 2 anos morando fora, se tem uma lição que a Austrália me ensinou foi: primeiro confiar. Se alguma coisa acontecer, você desconfia. No Brasil infelizmente é ao contrário, nós desconfiamos e duvidamos de tudo, até que a pessoa ganhe a nossa confiança.

Mas também não quero dizer que isso é coisa só de mentalidade brasileira e que na Austrália não existe esse preconceito. Na época que dividíamos casa com uma australiana, um dia ela veio falar que queria alugar o quarto de visitas para fazer uma grana extra. Nós sugerimos que ela colocasse no Airbnb porque isso seria uma experiência bacana pra todo mundo, estaríamos conhecendo viajantes do mundo todo e vivenciando essa troca de conhecimento. Mas essa não era a opinião dela. Ela não queria abrir a casa pra viajantes porque aquela casa era “tudo” o que ela tinha e ela tinha medo que as pessoas fossem roubar as coisas dela. Não que ela tivesse muitas coisas, era mais como se alguém fosse sair pela porta da frente carregando o sofá dela nas costas.

Sobre o meu post no facebook, eu tive 169 likes e 4 pessoas que comentaram oferecendo um quarto pra eles ficarem. Dessas 4 pessoas, apenas 1 menino de fato respondeu a minha mensagem, que foi onde eles ficaram. Esse cara abriu a casa dele para essas pessoas que ele nunca viu na vida, sem questionar e sem querer nada em troca. Esse cara acreditou que essas pessoas eram boas, que o ser humano é bom. E tenho certeza que pra ele, conhecer a Ruby e o Brian foi uma experiência incrível também, assim como foi pra gente.

Nós já recebemos viajantes em casa que nós nem conhecíamos e isso nos permitiu fazer parte de uma das histórias de viagem mais inspiradoras que conhecemos! Com aquela experiência nós tivemos uma troca cultural enriquecedora e ainda ganhamos amizades que vamos levar com a gente para o resto da vida. E é essa a mensagem que eu quero passar com essa história. Acredite que as pessoas são boas. Esteja aberto a conhecer pessoas novas, esteja aberto a ter novas experiências. Confie. Ajude sem esperar por algo em troca. Essa energia de troca é muito enriquecedora e você vai se surpreender com as coisas lindas que o universo vai te trazer de volta.

Para quem quiser acompanhar a viagem da Ruby, esse é o blog.

 

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Semana 02: de Gold Coast à Byron Bay 

Eu sei, eu sei. Em uma semana o mais longe que conseguimos chegar foi Byron Bay! Hahaha Mas isso é porque ficamos alguns dias em Gold e ainda mudamos totalmente os nossos planos! Mas vamos contar por partes:

11/03, sábado:
Esse foi o dia da aula de yoga que eu dei em Moreton Island e foi lindo demais! Foi a primeira vez que eu dei uma aula de yoga na areia (ahn, não sou a maior fã hahaha), mas foi bem bacana mesmo assim. Foram várias pessoas e conheci um pessoal super querido 🙂

12/03, domingo:
Último dia em Moreton Island, foi o dia de aproveitar a praia ao máximo! Esse lugar é realmente um paraíso e na hora que tivemos que ir embora até caiu uma lágrima, literalmente 🙁

13/03, segunda-feira:
O fim de semana foi maravilhoso, mas muito cansativo! Dormimos péssimamente na barraca e lá passávamos o dia todo nadando, andando de um lado pro outro, nadando mais, etc. Esse era o dia que teoricamente iríamos pegar a estrada para Cairns, mas não rolou. Quisemos dormir um pouquinho mais, descansar e…trabalhar! Estamos com muito conteúdo atrasado, precisamos editar vídeos e escrever posts aqui pro blog, então pra por a casa em ordem resolvemos ficar mais 2 dias em Gold Coast pra usar o wifi da biblioteca.

14/03, terça-feira:
Outro dia inteiro na biblioteca! Nos últimos dois dias só não trabalhamos virando noite porque a biblioteca só funciona das 9h às 18h! Foram dois dias de foco total que não conseguimos parar nem pra almoçar e quando dava o horário de fechar a biblioteca entrávamos em desespero porque precisavamos de mais umas DUZENTAS HORAS!

15/03, quarta-feira:
Esse era o dia que iríamos pegar a estrada para Cairns…mas não aconteceu. Nesse dia resolvemos mudar totalmente a direção da nossa viagem e passamos mais um dia em Gold para organizar melhor os pensamentos.

16/03, quinta-feira:
Pegamos a estrada, uhuuulll!!! Saindo de Gold passamos em Coolangatta pra ver um pouquinho do campeonato de Surf e então seguimos viagem até Cabarita, onde paramos pra almoçar. De lá tínhamos duas opções: ou iríamos conhecer uma fazenda Hare Krishna ou seguir até Ballina. Acabamos não fazendo nem um, e nem outro hahaha viemos para Byron Bay, pois como o final de semana estava próximo queríamos aproveitar pra dar uma aula aqui na cidade que é a meca do yoga na Austrália. Chegamos no fim do dia, conhecemos um pai e filha que estão viajando pelo mundo e tocando violão juntos (!), assistimos um batuque na praia e passeamos pelo centrinho. Tomamos banho (frio) na praia e fomos dormir em uma área de descanso na estrada, a uns 15min de Byron. Foi a primeira vez que dormimos nessas rest areas e tinham vários carros e motorhomes lá. Se não fosse pelo barulho da estrada teria sido perfeito!

17/03, sexta-feira:
Ainda em Byron, hoje tiramos o dia para gravar um vídeo pro canal e descansar. De manhã me deu um torcicolo danado que não estou nem conseguindo virar o pescoço! Tomara que amanhã eu esteja melhor para a aula 🙁

Continue lendo: semana 03 – de Byron Bay a Nambucca Heads

Gastos da semana:

Mercado: AUD$33.51
Combustível: AUD$60.25
Multa por ficar mais de 2 horas na mesma vaga: AUD$73.28
Estacionamento: AUD$12.65
Lavanderia: AUD$6.00
Comer fora e takeaway: AUD$34.05
Doação para artistas de rua: AUD$3.00
TOTAL: AUD$222.74
Gasto abaixo do que gastávamos quando estávamos parados morando em Gold Coast: AUD$177.26

Por onde passamos no mapa:

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O universo esta cuidando de nós

Hoje de manhã estávamos prontos para pegar a estrada para ir rumo a Cairns, ao Norte. Eu passei os últimos dois dias planejando todos os detalhes desse trajeto, que iria levar 17 dias ao todo. Estávamos indo no Surf Club para tomar banho antes de viajar quando do nada o David vira pra mim e pergunta: será que essa é mesmo a hora certa de ir para Cairns? Pronto, ali ele plantou a dúvida. Por um momento eu pensei “será?”.

Ontem à noite choveu “cats and dogs” como dizem os australianos, com trovões e tudo. Hoje de manhã vimos que tinha entrado água pela porta lateral, molhando toda a cortina e fazendo uma piscina dentro das minhas alpargatas. Quando perguntei pro David o que tinha levado ele a fazer aquela pergunta, ele disse que lembrou que algumas pessoas ja haviam dito que nessa época tem muitas tempestades e até ciclones no norte da Austrália. Eu acho que essa chuva que deu durante a noite foi um aviso para fazer nos cair a ficha do perigo. Não que a gente já não soubesse que aqui em Queensland chove pra caramba no verão, e eu até já tinha ouvido falar dos ciclones, mas não sei porque não tínhamos nos atentado muito a esse ~detalhe~ hehe.

Com a dúvida na cabeça, resolvemos não pegar a estrada e sim tirar o dia para pensar melhor no assunto. Sempre que temos alguma questão a ser resolvida, o David consulta o IChing. O IChing pra quem não sabe é um livro que é um tipo de oráculo na tradição chinesa. É um livro de mais de 5.000 anos que se baseia na ideia de que o universo é cíclico e por isso, é possível “prever” o que vem a seguir. Essa é uma explicação bem resumida e superficial, mas é só pra contextualizar e vocês entenderem o que rolou.

O IChing geralmente vem com sutilezas e é preciso bastante interpretação pra entender a resposta, mas dessa vez ele foi muito claro com as seguintes palavras: “O Norte e o Leste não são favoráveis. O Sul e o Oeste trazem boa sorte. Perceber o perigo e evitá-lo é uma grande sabedoria. A estrada que leva para o Norte e o Leste desaparece”. E ai, tem como ignorar uma resposta dessas? Depois disso não tivemos mais dúvidas e voltamos ao plano original de ir para o Sul.

Essa decisão deixou meu coração aliviado de alguma maneira. Quando consultamos o IChing, uma parte de mim estava torcendo para ele dizer para irmos para o Sul. Essa é a chamada resposta do coração. Nosso coração é sábio e nunca nunca nunca da a resposta errada. Quando falam “ouça o seu coração”, é exatamente isso que querem dizer. Você tem duas opções. Uma parte de você esta torcendo por uma delas, mesmo que a parte racional diga o contrário. Essa parte que, mesmo que secretamente, esta torcendo por um dos lados, é a resposta do seu coração.

Seguindo a nossa intuição e ouvindo o nosso coração, estamos conectados com o universo. E ele esta cuidando de nós.

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O app que esta salvando a nossa vida na estrada

Hoje eu quero dividir com vocês o melhor app de viagens que eu já encontrei: O Wikicamps.

Ele é um app direcionado para camping, mas ele é tão completo e tem tantas informações que eu acho que ele também pode ser bem útil para qualquer viajante, não necessariamente só para quem esta acampando. Eles tem a maior e mais atualizada base de dados de campings, hostels, wifi grátis, banheiros e chuveiros públicos e outros pontos de interesse.

Isso esta sendo uma baita mão na roda pra gente porque é através dele que vemos onde é permitido acampar gratuitamente, tomar banho na estrada, achar lugares com internet, etc. Ele tem muitas opções de filtros, como por exemplo saber se determinado lugar é permitido levar cachorro, se tem água potável, se tem tomada, se tem sinal de celular, etc. Além disso, ele ainda trás nos pontos de interesse lugares para fazer trilhas, parques nacionais, pontos turísticos, lugares interessantes para passar o dia… sério, ele é muito completo mesmo!

O legal é que o app ainda tem tipo um fórum, onde pra cada lugar do mapa é possível ver fotos e comentários de outras pessoas que já passaram por lá e dizem como foi a experiência deles, quanto gastou lá e esse tipo de coisa.

Ele tem tantos recursos que eu acho que ainda nem descobri todos eles hahaha mas já vi que é possível criar seu próprio roteiro de viagem com os lugares que você quer passar e também montar a sua lista de coisas pra levar na viagem.

E agora vem a melhor parte: ele funciona offline! É só baixar todo o mapa deles e você não vai precisar depender de sinal de celular ou wifi. O Wikicamps está disponível para IOS, Android e Windows e tem mapas da Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos.

O único ponto negativo é que ele não é gratuito, mas eu achei que pagar apenas AUD$7.99 em um app que esta sendo o nosso maior guia de viagens esta valendo totalmente a pena.

E você, já conhecia o Wikicamps? Conhece algum outro app legal pra ajudar na viagem? Conta aí nos comentários pra gente 🙂

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A partida

04 de Março de 2017. O dia escolhido para começar a nossa viagem. Parecia que esse dia estava tão distante, foram tantos meses planejando, sonhando, idealizando…e agora esse dia chegou. Acordamos com um misto de sensações. Muita empolgação, mas também muito receio e medo de começar. É tanta responsabilidade! E se falharmos? E se der tudo errado e tivermos que voltar pra casa falando que o projeto não deu certo? O que vamos falar para todas as pessoas que fizemos lindos discursos defendendo nossos sonhos com unhas e dentes dizendo que acreditamos que tudo daria certo? Quanta ansiedade!

Preparamos o café da manhã, organizamos a van e nos arrumamos pra sair. Fizemos toda a nossa rotina matinal como de costume, mas nesse dia levamos quase o dobro do tempo! Parecia que estávamos querendo nos enrolar pra sair, como se quiséssemos adiar mais um pouquinho. Quando finalmente ligamos o carro e saímos, ficou aquele silêncio no carro. Aquele silêncio de quem não sabe exatamente o que ta sentindo. Aquela sensação estranha de borboletas na barriga. Passamos devagarzinho pela beira mar sabendo que aquela era a nossa despedida de Gold Coast, a cidade que nos acolheu pelos últimos 2 anos.

Por um momento, ficamos tristes. Eu senti algo parecido quando saímos do Brasil. Aquela tristeza em deixar um lugar que você gosta tanto com uma mistura de empolgação em ir conhecer lugares novos. Querer ficar e também querer partir. E aí pegamos a estrada. No momento em que estávamos rumo à Sunshine Coast, a empolgação tomou conta e enquanto eu lia algumas indicações no Lonely Planet meu coração saltitava com o entusiasmo dos lugares novos que iríamos conhecer. Essa alegria no meu coração era o sinal de que estávamos no caminho certo!

Veja o vídeo que gravamos contando como foi o primeiro dia:

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